Por: Patricia Lopes

A Terapia Ocupacional vem ocupando um espaço cada vez mais relevante no desenvolvimento infantil, especialmente na avaliação e intervenção de crianças com paralisia cerebral. Nesse contexto, a atuação da terapeuta ocupacional Letícia Cançado Carlos de Magalhães ganha destaque por sua contribuição científica e clínica voltada à compreensão da função visual e suas repercussões no cotidiano infantil.

Com sólida formação em Terapia Ocupacional pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, Letícia construiu uma trajetória marcada pela excelência acadêmica, com desempenho máximo em disciplinas fundamentais como Neurologia, Radiologia e Terapia Ocupacional aplicada à saúde ocupacional e ergonomia. Ao longo de sua carreira, também realizou pós graduação lato sensu em reabilitação do membro superior e participou de importantes eventos científicos, como o VII Congresso Brasileiro de Terapia Ocupacional.

Sua produção científica inclui um estudo publicado na revista Temas sobre Desenvolvimento, no qual apresentou um instrumento inovador denominado EDVA S, desenvolvido para avaliação da função visual em crianças com paralisia cerebral. A pesquisa foi realizada na AACD e envolveu crianças com diparesia espástica e tetraparesia espástica, evidenciando que a maioria apresentava alterações significativas na função visual.

Segundo a pesquisadora, “o olhar da criança precisa ser compreendido dentro do contexto neurológico e funcional, não apenas como um movimento ocular isolado”. Essa perspectiva reforça a importância de uma avaliação mais ampla e integrada.

O estudo demonstrou diferenças importantes entre os perfis clínicos. Crianças com diparesia espástica tendem a apresentar melhor capacidade de fixação visual, maior organização na resposta aos estímulos e maior coordenação ocular. Ainda assim, podem apresentar estrabismo e necessidade de acompanhamento especializado. Já nos casos de tetraparesia espástica, os comprometimentos são mais complexos, incluindo dificuldades na troca do olhar e no rastreamento visual, o que impacta diretamente atividades como leitura e interação com o ambiente.

Nesse sentido, Letícia destaca que “a função visual está diretamente ligada à forma como a criança interage com o mundo e constrói suas experiências cotidianas”. Essa compreensão amplia o papel da Terapia Ocupacional como área essencial no processo de reabilitação.

O estudo também evidenciou a presença de alterações como nistagmo e deficiência visual cortical em parte das crianças avaliadas, reforçando que, mesmo com estruturas oculares preservadas, o processamento cerebral pode estar comprometido.

Para Letícia, “avaliar precocemente a função visual permite intervenções mais eficazes e maior potencial de desenvolvimento funcional”. A partir disso, estratégias terapêuticas passam a incluir estímulos de alto contraste, brinquedos luminosos, texturas variadas e adequação do campo visual, favorecendo a percepção e o engajamento da criança.

Ela ainda ressalta que “cada resposta visual observada é uma oportunidade de intervenção que pode impactar diretamente a autonomia da criança”. Essa abordagem reforça o caráter sensível e técnico da Terapia Ocupacional na infância.

Por fim, a pesquisadora afirma que “a integração entre ciência e prática clínica é fundamental para qualificar a reabilitação infantil e ampliar resultados funcionais”. Sua contribuição consolida a importância de instrumentos avaliativos estruturados e da intervenção precoce como pilares do cuidado em paralisia cerebral.

A atuação de Letícia reforça o papel da Terapia Ocupacional como área estratégica no desenvolvimento infantil, promovendo mais autonomia, funcionalidade e qualidade de vida para crianças com desafios neurológicos complexos.