Um homem acusado de matar a ex-companheira em Cajuru (SP) foi condenado a 48 anos e 10 meses de prisão em regime inicial fechado. A decisão foi tomada pelo Tribunal do Júri na última quinta-feira (23/4), após denúncia apresentada pelo promotor Paulo Augusto Radunz Junior e atuação em plenário do também membro do Ministério Público de São Paulo, Marco Thulio Gonçalves.
O caso ganhou repercussão pela gravidade dos fatos e pelas circunstâncias do crime, que envolvem descumprimento de medidas protetivas e a presença da filha da vítima no momento do ataque.
Crime ocorreu dentro da casa da vítima
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o crime aconteceu na manhã de 6 de maio de 2025. Mesmo proibido judicialmente de se aproximar, o réu invadiu a residência da ex-companheira e a atacou com golpes de faca enquanto ela dormia.
A filha da vítima presenciou a cena e pediu socorro a familiares. A mulher chegou a ser levada para atendimento médico, mas não resistiu aos ferimentos.
Histórico de violência foi determinante
As investigações apontaram que o relacionamento, que durou cerca de 16 anos, era marcado por episódios de violência doméstica. Há registros anteriores de agressões e ameaças, o que reforçou o entendimento do júri sobre o risco já existente.
Durante o julgamento, o Ministério Público destacou que o acusado ignorou medidas protetivas já impostas pela Justiça, o que agravou ainda mais a responsabilidade penal.
Agravantes aumentaram a pena
Na sentença, os jurados reconheceram a qualificadora de recurso que dificultou a defesa da vítima, já que o ataque ocorreu enquanto ela dormia.
Além disso, foram considerados dois agravantes:
- descumprimento de medidas protetivas
- crime cometido na presença da filha da vítima
Esses fatores contribuíram diretamente para o aumento da pena, considerada elevada dentro desse tipo de crime.
Com a condenação definida, o réu deverá cumprir pena em regime fechado. Ainda cabem recursos por parte da defesa, mas a decisão do júri reforça o entendimento da Justiça sobre a gravidade de crimes envolvendo violência doméstica e feminicídio.
O caso volta a expor falhas recorrentes no cumprimento de medidas protetivas e levanta um ponto crítico: a escalada da violência, muitas vezes ignorada até chegar ao extremo.


